Toda Matemática: uma estratégia nacional para a melhoria da aprendizagem
19 de fevereiro de 2026
Em poucas palavras: o Compromisso Nacional Toda Matemática é a estratégia do MEC para fortalecer o ensino de Matemática na Educação Básica com formação, materiais, avaliação e apoio direto às redes. Aqui você entende por que ele surgiu agora e o que muda na rotina de planejamento, acompanhamento e atividades de matemática na sua escola.
O que é o Compromisso Nacional Toda Matemática?
O Compromisso Nacional Toda Matemática é uma política pública do Ministério da Educação voltada ao fortalecimento da aprendizagem em Matemática ao longo de toda a Educação Básica. A ideia central é tratar a educação matemática como direito, apoiar redes e escolas com ações articuladas e sustentar uma melhora contínua, com atenção às desigualdades entre territórios e grupos de estudantes.
Na prática, o Compromisso reúne frentes que costumam caminhar separadas no dia a dia. Formação de professores, orientação curricular alinhada à BNCC, instrumentos de avaliação, apoio à gestão e valorização de práticas pedagógicas que ajudam a aprendizagem a acontecer.
Por que essa política aparece agora?
O Compromisso surge em um momento em que os indicadores deixam pouco espaço para dúvidas. Na apresentação do programa, apareceram dados do Saeb 2023 que mostram uma queda forte da aprendizagem adequada em Matemática ao longo da escolaridade. São 43,5% no 5º ano, 16,5% no 9º ano e 5,2% na 3ª série do Ensino Médio. No Pisa 2022, 73% dos estudantes brasileiros tiveram desempenho insuficiente em Matemática.
Esses números explicam uma parte da sensação que a escola vive. A defasagem vai se acumulando, o conteúdo avança, o aluno carrega lacunas, o professor tenta recompor enquanto ensina o previsto. A política chega com a promessa de coordenar esforços para mudar esse padrão.
Que problemas do ensino de matemática o Compromisso tenta enfrentar?
O Compromisso mira desafios que aparecem de formas diferentes em cada rede, e que costumam se repetir.
- A progressão frágil das aprendizagens: em Matemática, um conteúdo depende do outro. Quando o estudante avança sem consolidar fundamentos, as dificuldades aparecem com mais força nos anos seguintes, porque ele passa a enfrentar temas novos sem a base necessária.
- As desigualdades de oportunidade: dentro da mesma rede, e até dentro da mesma sala, há alunos que tiveram mais chances de aprender e outros que carregam lacunas maiores. Quando olhamos só para a média do país, essas diferenças ficam escondidas, mas na escola elas aparecem todos os dias.
- A falta de alinhamento entre currículo, material, avaliação e sala de aula: muitas vezes o que está no currículo, o que está no material didático, o que cai nas avaliações e o que dá tempo de trabalhar em aula não conversa bem. Quando isso acontece, fica mais difícil decidir o que priorizar e como acompanhar a aprendizagem de forma consistente.
- O isolamento de quem ensina: mesmo professores experientes podem se sentir sozinhos para enfrentar desafios complexos, principalmente quando faltam tempo de estudo, formação continuada e apoio pedagógico para interpretar resultados de avaliação e transformar esses dados em ações concretas com a turma.
Os cinco eixos que organizam a política
O Toda Matemática se organiza em cinco eixos. Pense neles como áreas de ação que ajudam a entender o que o programa pretende fazer e que tipo de apoio pode chegar às redes e às escolas.
- O primeiro eixo é governança e gestão. Ele trata de como a política será coordenada, acompanhada e organizada para funcionar de forma articulada entre União, estados e municípios, com metas, responsabilidades e rotinas de monitoramento.
- O segundo eixo é formação de profissionais da educação. Aqui entram ações de formação continuada e apoio pedagógico para professores e equipes, com foco em fortalecer o trabalho de ensino de Matemática no cotidiano.
- O terceiro eixo é orientação curricular. Esse eixo concentra materiais, guias e referências alinhadas à BNCC, ajudando as redes a organizar a progressão das aprendizagens e a definir o que precisa ser consolidado em cada etapa.
- O quarto eixo é avaliação da aprendizagem. A proposta é melhorar a leitura do que os estudantes estão aprendendo, articulando avaliações e construindo indicadores que ajudem a escola e a rede a tomar decisões mais precisas, como priorizar conteúdos, planejar intervenções e acompanhar avanços.
- O quinto eixo é reconhecimento e compartilhamento de boas práticas. Ele prevê mecanismos para valorizar experiências que dão certo, registrar o que funcionou e fazer essas práticas circularem entre escolas e professores, para que soluções eficazes não fiquem isoladas.
Como o Compromisso chega às redes e à escola?
A adesão ao Compromisso Nacional Toda Matemática é feita pela rede de ensino, não pela escola individualmente. Quem assina é o ente federado, como secretária municipal ou estadual. Recentemente, o MEC ampliou o prazo e informou que a adesão pode ser feita até 13 de março de 2026.
O processo tem duas etapas. A primeira é a assinatura do termo de adesão dentro do Simec, que é o Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle do MEC. Depois disso, vem a etapa vinculada ao PDDE Interativo, quando o MEC informa que disponibiliza apoio financeiro para escolas priorizadas, com foco no fortalecimento do currículo de Matemática, recomposição de aprendizagens e alinhamento com instrumentos de avaliação.
Para o educador que está na escola, o caminho mais prático é esse. Confirmar com a secretária se a rede já aderiu no Simec e acompanhar a página oficial do programa, onde o MEC concentra a explicação e as notícias do Compromisso: www.gov.br/mec/pt-br/toda-matematica.
O que muda no planejamento e nas atividades de Matemática?
Na prática, o Compromisso tende a mexer em três partes do trabalho que mais consomem energia do professor e da coordenação.
Primeiro, planejamento com mais referência comum. A política prevê cadernos e orientações curriculares alinhadas à BNCC para ajudar a rede a organizar progressão, priorização e recomposição, com expectativa mais clara do que precisa estar consolidado em cada etapa. Isso costuma aliviar a sensação de “cada escola inventa um caminho” e dá mais base para decidir o que entra primeiro no plano de aula e o que precisa de retomada sistemática.
Segundo, acompanhamento com leitura mais útil dos resultados. A proposta coloca avaliação no centro, conectando instrumentos da escola e das redes com o Saeb, sob coordenação do Inep. Na rotina, isso significa mais pressão por evidência, mas também mais chance de transformar dado em decisão concreta, turma por turma, habilidade por habilidade, com metas de avanço acompanháveis ao longo do ano.
Terceiro, mais recurso e mais material quando a escola é priorizada. O MEC prevê apoio técnico e financeiro e, no caso das escolas selecionadas, repasse via PDDE para fortalecer currículo de Matemática e recomposição das aprendizagens, registrado no PDDE Interativo. Para o professor, o impacto aparece quando a escola consegue comprar e organizar recursos pedagógicos que sustentem rotina, intervenção e diversidade de abordagem, e não só ação pontual.
Quarto, formação e rede de apoio com mais estrutura. O Compromisso organiza governança nacional e instâncias de acompanhamento, com comitês e uma rede de ancoragem para apoiar a implementação local. Quando isso funciona, o professor deixa de receber apenas “cobrança de resultado” e passa a ter mais agenda formativa, mais repertório e mais espaço de troca mediada por rede, escola e território.
Perguntas frequentes (FAQ)
O que é o Compromisso Nacional Toda Matemática?
É uma política pública do MEC lançada em 2025 para fortalecer a aprendizagem em Matemática em toda a Educação Básica, com ações de formação, orientação curricular, avaliação e compartilhamento de boas práticas.
Por que o Compromisso foi criado em 2025?
Ele surge em um contexto de baixos resultados e queda acentuada da aprendizagem adequada em Matemática ao longo das etapas, segundo indicadores como Saeb e Pisa.
Quais são os cinco eixos do Toda Matemática?
Governança e gestão, formação de profissionais da educação, orientação curricular, avaliação da aprendizagem, reconhecimento e compartilhamento de boas práticas.
A adesão ao Compromisso Nacional Toda Matemática é obrigatória?
A adesão das redes é voluntária, feita pelos sistemas do MEC.
Como o programa se relaciona com a BNCC?
A política se organiza com base no desenvolvimento das competências e habilidades previstas na BNCC para Matemática e propõe apoio para fortalecer a implementação curricular.
O que muda para o ensino de matemática na prática?
A mudança esperada passa por maior apoio à formação, materiais e orientações curriculares, instrumentos de avaliação mais conectados ao currículo e incentivo à circulação de práticas pedagógicas que sustentem a aprendizagem real.
