Corpo, gestos e movimentos: como aplicar o 2º Campo de Experiência na sua sala de aula?

12 de fevereiro de 2026


Em poucas palavras: neste segundo texto da série sobre os Campos de Experiência da BNCC, olhamos para o campo “Corpo, gestos e movimentos” a partir do cotidiano da Educação Infantil. O foco está em compreender como o corpo participa da construção de sentidos, vínculos, autonomia e linguagem, e como o professor pode planejar experiências corporais com intencionalidade pedagógica, sem transformar o movimento em treino ou atividade isolada.

Leia também: O eu, o outro e o nós: como aplicar o 1º Campo de Experiência na prática? 

Corpo, gestos e movimentos: o que a BNCC nos convida a observar além do “gastar energia”?

Na Educação Infantil, o corpo costuma chegar antes da palavra. Antes de explicar o que sentiu, a criança corre, se aproxima, se afasta, se esconde, se joga no chão, repete um gesto, inventa um movimento. O corpo anuncia interesses, desconfortos, desejos e curiosidades. É por ele que a criança experimenta o espaço, testa limites, constrói segurança e se reconhece no mundo.

O Campo de Experiência “Corpo, gestos e movimentos” parte exatamente dessa premissa. Ele convida o educador a olhar para o movimento como linguagem, como forma de expressão e como eixo de aprendizagem

A BNCC organiza esse campo para ajudar o professor a perceber que o desenvolvimento corporal está diretamente ligado à construção da autonomia, da identidade, da convivência e do bem-estar. Planejar por campos, significa assumir um currículo centrado na criança, em suas experiências reais, e não em atividades fragmentadas. 

O que define o campo “Corpo, gestos e movimentos”?

Esse campo reúne experiências em que a criança explora o corpo em interação com o espaço, com os objetos, com o outro e consigo mesma. Ele envolve deslocamentos, gestos, posturas, ritmos, expressões corporais, brincadeiras, danças, jogos simbólicos e situações de cuidado.

Para além das habilidades motoras, o campo propõe que a criança:

  • Reconheça sensações e limites do próprio corpo;
  • Experimente diferentes formas de se mover e se expressar;
  • Construa noções espaciais a partir da ação;
  • Amplie repertórios culturais por meio do brincar;
  • Desenvolva autonomia em situações de autocuidado.

É um campo profundamente ligado à ideia de infância como tempo de exploração, descoberta e construção de sentido.

Onde esse campo aparece no dia a dia da Educação Infantil?

Ele aparece quando a criança decide como vai ocupar o espaço da sala. Quando escolhe correr, observar ou se deitar no tapete. Quando inventa um jeito próprio de dançar. Quando precisa aprender a esperar o corpo do outro passar. Quando descobre que consegue subir sozinha ou que ainda precisa de ajuda.

O papel do professor está em transformar essas situações em experiências educativas, organizando ambientes, tempos e materiais que convidem ao movimento com segurança e liberdade. É nessa mediação que o campo ganha intencionalidade pedagógica.

E, é bom frisar que movimento não é intervalo entre aprendizagens. Ele é parte da aprendizagem.

Como transformar o movimento em experiência pedagógica?

Planejar para esse campo envolve menos controle e mais observação qualificada. Algumas perguntas ajudam a orientar o trabalho:

  • Que tipos de movimento as crianças buscam espontaneamente?
  • O espaço permite diferentes formas de deslocamento e exploração?
  • Há tempo suficiente para repetir, experimentar e criar variações?
  • O corpo é acolhido também nos momentos de cuidado e descanso?

A partir dessas perguntas, o planejamento passa a ser a construção de contextos.

Experiências que favorecem “corpo, gestos e movimentos”

As propostas abaixo não são modelos fechados, mas pontos de partida que podem ser retomados ao longo da semana, respeitando os ritmos do grupo.

Exploração de trajetos no espaço

Organizar percursos com diferentes possibilidades de passagem, como subir, contornar, passar por baixo, equilibrar ou arrastar objetos, ajuda a criança a construir noções espaciais e a reconhecer suas próprias estratégias corporais.

Dança como linguagem

Propostas de dança livre, variação de ritmos, imitação de movimentos e criação coletiva favorecem a expressão corporal e a comunicação sem depender da linguagem verbal.

Brincadeiras de faz de conta corporais

Encenar animais, personagens, situações do cotidiano ou histórias conhecidas amplia o repertório simbólico e integra corpo, imaginação e convivência.

Gestos do cuidado cotidiano

Lavar as mãos, organizar os brinquedos, vestir-se, alimentar-se e descansar também são experiências corporais. Quando realizadas com tempo, diálogo e previsibilidade, fortalecem autonomia e consciência corporal.

O que observar nesse campo?

A observação vai além de verificar se a criança “consegue” realizar um movimento. Ela envolve perceber:

  • Como a criança escolhe se mover;
  • Como reage a desafios;
  • Como se relaciona com o espaço e com o outro;
  • Como expressa emoções pelo corpo;
  • Como constrói autonomia progressivamente.

Esses registros ajudam o professor a compreender o desenvolvimento do grupo e a replanejar experiências com mais sentido.

Planejar sem engessar o corpo

O desafio desse campo está em equilibrar segurança e liberdade. Planejar não significa controlar cada gesto, significa criar condições para que o corpo seja vivido com prazer, cuidado e diversidade de experiências.

Um bom planejamento:

  • Oferece escolhas;
  • Respeita ritmos diferentes;
  • Valoriza a repetição como forma de aprendizagem;
  • Evita confinamento e excesso de sedentarismo;
  • Integra movimento ao cotidiano, e não apenas a momentos específicos.

Quando isso acontece, o corpo deixa de ser visto como algo a ser contido e passa a ser reconhecido como eixo central da experiência infantil.

Perguntas frequentes (FAQ)

O que é o Campo de Experiência “Corpo, gestos e movimentos”?

É o campo da BNCC que organiza experiências corporais, gestuais e de movimento como formas de aprendizagem, expressão, interação e construção de autonomia na Educação Infantil.

Esse campo envolve apenas atividades motoras?

Não. Ele envolve expressão, comunicação, imaginação, autocuidado, cultura e convivência, sempre mediadas pelo corpo.

Como trabalhar esse campo com bebês?

Com propostas de exploração segura do espaço, brincadeiras de colo, músicas com gestos, objetos sensoriais, tempo para observar e interação constante com o adulto.

Como registrar aprendizagens nesse campo?

Por meio de observações sobre escolhas, estratégias, repetição, autonomia, relação com o espaço e formas de expressão corporal, valorizando processos e não apenas resultados.

Esse campo se articula com outros campos da BNCC?

Sim. Ele se integra naturalmente a todos os outros campos, especialmente “O eu, o outro e o nós” e “Traços, sons, cores e formas”.

Editora do Brasil S/A
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