O ensino de Língua de Sinais como meio de inclusão

20 de setembro de 2023


Os caminhos para a construção de uma Educação Inclusiva passam por realidades distintas, que, por vezes, necessitam de um movimento ainda maior: o aprendizado de uma nova língua, a Língua de Sinais.

Como uma forma de incentivar a inclusão nas escolas, neste artigo vamos entender como surgem essas línguas e as diferenças em cada país e como normalizar o assunto em sala de aula.

Origem da Língua de Sinais

Antes de falar sobre a origem da Língua de Sinais, precisamos compreender como as pessoas surdas passaram pelas diferentes sociedades.

Na época das civilizações clássicas, os surdos eram excluídos ou endeusados, sem levar em consideração a sua educação e inclusão no meio social. Para gregos e romanos, eles eram incapazes de aprender e castigados pelos deuses, já que acreditavam que a aprendizagem estava diretamente relacionada à fala e à linguagem. Por outro lado, para persas e egípcios esses indivíduos tinham o contato direto com os deuses e eram tratados com muito respeito. Os hebreus carregavam os ensinamentos da Torá, em Levítico 19:14, que negava a maldição e discriminação dos surdos.

Essas pessoas chegaram a perder seu direito de realizar testamentos, receber heranças, assinar contratos e viver em sociedade durante o Império Bizantino.

Mas é na Idade Moderna que os primeiros movimentos de Educação de surdos começam a se tornar palpáveis. A técnica, desenvolvida pelo monge beneditino Pedro Ponce de León, envolvia sinais, alfabeto manual, escrita e oralização.

Alguns séculos mais tarde, é fundado o primeiro Instituto de Surdos de Paris pelo abade francês Charles Michel de l’Épée.

Língua Brasileira de Sinais

Com o desenvolvimento alcançado na França, Pedro II convida Ernest Huet em 1855, um professor francês surdo desde os 12 anos e que utilizava o método de Charles Michel de l’Épée, para iniciar a educação de surdos no Brasil.

Em 1857, surge o Imperial Instituto dos Surdos-Mudos, atualmente conhecido como Instituto Nacional de Educação de Surdos, viabilizando o desenvolvimento das Libras, Língua Brasileira de Sinais, com sinais próprios do nosso país.

Sim, a Língua de Sinais se desenvolve com base na cultura e se molda aos novos significados da sociedade. Por isso, cada país possui os seus signos.

Professora ensinando Língua de Sinais para aluna.
Fonte: Freepik

Presença da Língua de Sinais no audiovisual e nas redes

Para entender e normalizar o assunto, apresente aos seus estudantes filmes, séries, livros, curtas-metragem e personalidades que produzem conteúdo para as redes sociais. Temos algumas dicas para vocês que envolvem a Língua de Sinais e mais uma dica extra!

CODA: No Ritmo do Coração, 2021

No filme “CODA: No Ritmo do Coração”, ou “Child of Deaf Adults”, disponível na HBO Max ou para alugar no Prime Video, acompanhamos a história de uma criança ouvinte em uma família de surdos.

O longa mostra os desafios da vivência de pessoas surdas em uma comunidade que não tem uma base para a inclusão por meio da Língua de Sinais, limitando a comunicação entre os dois lados, e os receios da mãe com o sonho da filha em ser cantora.

Switched at Birth, 2011

A série “Switched at Birth“, ou Trocadas no Nascimento – disponível na Prime Vídeo –, conta a dramática história de duas adolescentes, Bay Kennish e Daphne Vasquez, que foram trocadas na maternidade e como essas famílias se encontram e passam a viver juntas.

Daphne foi criada por sua mãe solteira e com poucas regalias. Durante sua infância, contraiu meningite e perdeu a audição como sequela da doença. Mas para Bay a vida foi completamente diferente, cresceu em uma família rica, cheia de possibilidades e sem barreiras para viver suas aventuras.

Assim como em CODA, o elenco traz atrizes e atores surdos e grandes diálogos imersivos apenas com a Língua Americana de Sinais e legendas. Além de mostrar aos ouvintes como é a realidade dessas pessoas em ambientes preparados para incluí-los e a comoção das famílias em incluir Daphne no cotidiano de seus progenitores e sua nova irmã, Bay.

Tamara

O curta-metragem americano Tamara, traduzido pelo canal Surdo para Surdo, é uma animação que mostra a importância de acreditar em nossos sonhos, independente das barreiras que existam.

Quem nos traz essa percepção é a Tamara, uma criança surda que acredita em seu maior sonho: ser bailarina, independente de os outros considerarem impossível!

Educação Inclusiva

Falando em Língua de Sinais e diversidade, a Editora do Brasil desenvolveu o livro de bolso “Educação Inclusiva de Bolso – O desafio de não deixar ninguém para trás”. A obra de Liliane Garcez e Gabriela Ikeda apresenta o surgimento do conceito de Educação Inclusiva e como os acordos internacionais e as políticas públicas brasileiras promovem o acesso à educação para todos.

O material surge como um complemento para a sua formação, educador(a), com detalhes sobre planejamento escolar e estratégias didáticas para usar em sala de aula, de forma que a Educação não deixe ninguém para trás!

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